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A viagem política que acabou antes do desembarque: malas prontas, apoio pelo caminho

A viagem política que acabou antes do desembarque: malas prontas, apoio pelo caminho

Reportagem: Helizardo Guerra

O ex-prefeito de Epitaciolândia arrumou as malas, colocou na bagagem a velha esperança de chegar à Assembleia Legislativa e embarcou para mais uma disputa eleitoral.

O problema é que, desta vez, parece ter cometido um pequeno — mas politicamente caro — descuido: esqueceu de conferir a lista de passageiros.

A estratégia, ao que tudo indica, era apostar na velha fórmula: reunir antigos aliados, colaboradores e nomes que, em outros tempos, circularam pelos corredores da administração. Afinal, quem esteve junto durante os anos de poder costuma ser lembrado quando chega a hora de pedir apoio para uma nova viagem.

Só que a política tem uma mania inconveniente: ela costuma separar companhia de conveniência.

Na hora de colocar o pé na estrada, alguns antigos aliados aparentemente escolheram outros caminhos, outros projetos e, principalmente, outras companhias. E foi justamente aí que a conta começou a não fechar como o planejado.

Porque uma coisa é contar com apoio enquanto se ocupa o gabinete, se distribuem espaços e se administra a máquina pública. Outra, completamente diferente, é descobrir quem continua ao lado quando o cargo termina, a estrutura diminui e a campanha passa a depender exclusivamente de voto, confiança e liderança política.

As urnas, como sempre, não costumam aceitar discurso de campanha como moeda de troca.

A tão sonhada viagem rumo à Assembleia Legislativa não chegou ao destino anunciado. E, ao final do percurso, ficou a bagagem: votos, experiência, antigos discursos, alianças que mudaram de endereço e algumas lições que talvez não estivessem no roteiro original.

A principal delas é simples: aliança política não vem com garantia vitalícia.

Quem acredita que todos os antigos passageiros estarão esperando no mesmo ponto pode descobrir, na próxima parada, que alguns já trocaram de ônibus, outros mudaram de rota e outros simplesmente decidiram viajar com quem apresenta um destino diferente.

E talvez esteja aí a parte mais interessante da política: quando o poder muda de mãos, também muda a fila de embarque.

No fim das contas, não basta anunciar o destino.

É preciso saber quantos ainda acreditam na viagem — e, principalmente, quantos estão dispostos a pagar a passagem para seguir ao seu lado.

Porque em política, quando a estrutura acaba, a fidelidade é colocada à prova.

E algumas malas, por mais pesadas que sejam, não conseguem carregar passageiros que já decidiram desembarcar.