colunista: Ivana Cristina
Fatos e Relatos de Brasileia e Epitaciolandia
As eleições se aproximam, vale lembrar que a política sempre esteve enraizada na população de Brasileia. Partidos políticos como: UDN, ARENA, PDS, MDB, PDT, PTB, PT.. Eram constantes na boca do povo. Quem não recorda os grandes comícios realizados em cima de um caminhão, atravessado no meio da rua. O barulho estridente das caixas de som. Os “showmícios” com artistas “de fora”. Como esquecer do Zamir Teixeira que trouxe a Simony(na época era conhecida pela Turma do Balão Mágico) para um “showmício” em Vila Epitácio. Os fogos de artifícios “pipocando” no céu, os cabos eleitorais cantando os “jingles” dos candidatos, o caminhão do Luisinho Hassem levando e trazendo eleitores para votar e
a meninada brincando com os cartazes dos candidatos. Os churrascos, na zona rural, patrocinado pelos políticos.
Tinha de tudo: consultório médico e odontológico ao céu aberto, doação de dentadura (aliás, se não fosse trágico, seria cômico).Os políticos traziam já as dentaduras prontas, dentro de uma caixa, a pessoa chegava, abria a boca e experimentava, se desse certo, já levava, a “chapa” e o santinho.
Urna eletrônica, nem sonhava com isso, era tudo escrito no papel. A contagem de votos era demorada, deixando muitos a “roer as unhas”, em frente ao fórum, aguardando o resultado.
Uns comemoravam a vitória, outros só restavam a “balsa” rumo a Manacapuru. O grande poeta Raimundo Rocha escrevia a “Balsa da Amargura”, fazendo sátira aos perdedores.
Os comitês sempre cheio de gente. E o pessoal pedia de tudo aos candidatos: dentadura, remédios, alumínio, colchão, sacolão, dentre outros.
“Adesivaço” que nada, a moda era colar cartazes de candidatos com “grude” nos postes de madeira durante a madrugada. Pedir e ganhar camisetas, bonés, chaveiros, canetas com o nome, número e sigla partidária do candidato, era corriqueiro. O eleitor vestia a camisa do candidato e ia votar, para não ser incomodado com o pessoal que fazia “boca de urna”.
Lembro-me de alguns grandes políticos da época: Nosser de Almeida, Joaquim Macedo, Jorge Kalume, Aluízio e Zila Bezerra, Iolanda e Geraldo Fleming, Manoel Machado, Nabor Júnior, Wildy Viana e os nossos políticos de Brasileia: Antônio Avelino, Walter Pé de Anta, Rolando Moreira, Laudemiro Carlos Barroso, Olinda Gadelha, Waldemir Lopes, os irmãos Carlos e Milton Ramos Esteves, Gildo Moreira dentre outros.
Em época de eleição, a meninada gostava de colocar barba, chifre e óculos na foto dos candidatos. Ione, minha irmã, colecionava em um caderno, os “santinhos”, colados um ao lado do outro, era o álbum de figurinhas da época. Aluguel de caminhões, os famosos “pau de arara”, eram contratados para levar e trazer o pessoal para os comícios na zona rural que “ferviam” de gente, o barulho dos fogos, o vai e vem das pessoas. Após o comício tinha sempre uma festa regada a sanfona, churrasco e muita “pinga”, geralmente acabava em briga.
Palanques eram montados na “beira” da rua, sem asfalto, era só poeira, mas, quem se importava, o pessoal se divertia muito.
Mas, esse tempo das “dentaduras”, churrasco , brindes, showmício passou.
Com as urnas eletrônicas, o resultado é rápido e seguro. Hoje, continuam ainda as desavenças partidárias no campo político.
Mas, depois das eleições, a tranquilidade volta a reinar em nossa querida cidade. E venha a próxima eleição, com “bandeiraço”, “arrastão” nos bairros, conversa com o eleitor “olho no olho”, principalmente com os indecisos. Que a democracia prevaleça em nosso país.